Transtorno do Espectro do Autismo: critérios diagnósticos e níveis de suporte

ASSISTÊNCIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL
    04 de março de 2026

Entenda como o diagnóstico do TEA evoluiu e como os níveis de suporte orientam o acompanhamento individualizado

 

A Prefeitura do Município de Leme, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social e do Centro de Atendimento da Pessoa com Autismo, dá continuidade à série de conteúdos informativos sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesta edição, o foco é compreender como os critérios diagnósticos foram reorganizados ao longo dos anos e o que significa, na prática, falar em “espectro”.

 

Da classificação fragmentada ao conceito de espectro

 

Ao longo das últimas décadas, diferentes terminologias foram utilizadas para descrever o autismo. Expressões como Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID) e Síndrome de Asperger apareciam em manuais diagnósticos anteriores, como o CID-10 e o DSM-IV.

 

Essas denominações refletiam a tentativa de organizar quadros clínicos que compartilhavam características semelhantes, mas eram classificados separadamente.

 

Com a publicação do DSM-5, em 2013, ocorreu uma mudança significativa: as categorias anteriores passaram a ser reunidas sob um único diagnóstico — Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). A proposta foi reconhecer que não se tratam de condições distintas, mas de manifestações variadas dentro de um mesmo espectro de desenvolvimento.

 

A exceção foi a Síndrome de Rett, que passou a ser considerada uma condição genética específica.

 

O diagnóstico é clínico e individualizado

 

O diagnóstico do TEA é essencialmente clínico. Isso significa que ele se baseia na avaliação do comportamento, no histórico do desenvolvimento e na observação especializada, conforme os critérios estabelecidos pelo:

 

  • DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais);
  • CID (Classificação Internacional de Doenças), da Organização Mundial da Saúde.

 

Não existe exame laboratorial ou de imagem capaz de confirmar isoladamente o diagnóstico. A identificação depende da análise criteriosa realizada por profissionais qualificados, considerando o impacto funcional das características observadas.

 

Mudança nos critérios diagnósticos

 

Antes da reformulação do DSM-5, o diagnóstico se apoiava em três áreas principais:

 

  • Desafios de linguagem;
  • Déficits sociais;
  • Comportamentos repetitivos.

 

Com a atualização, os critérios passaram a ser organizados em duas dimensões centrais:

 

  • Comunicação e interação social;
  • Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.

 

Essa reorganização buscou tornar o diagnóstico mais consistente e alinhado às evidências científicas acumuladas nas últimas décadas.

 

Níveis de suporte: o que significam?

 

Uma das mudanças mais relevantes foi a introdução dos níveis de suporte, que indicam a intensidade de apoio necessário para a pessoa em determinado momento da vida.

 

  • Nível 1 – Requer suporte: dificuldades perceptíveis na comunicação social e na flexibilidade comportamental, com necessidade de apoio para maior autonomia.
  • Nível 2 – Requer suporte substancial: déficits mais evidentes na interação social e maior rigidez comportamental, exigindo intervenções mais estruturadas.
  • Nível 3 – Requer suporte muito substancial: comprometimentos significativos na comunicação verbal e não verbal, com necessidade de apoio intensivo em diferentes contextos.

 

É importante destacar que os níveis não definem o potencial da pessoa, mas orientam o planejamento de estratégias educacionais, terapêuticas e sociais adequadas.

 

Sinais que podem estar presentes

 

Entre as características observadas no espectro, destacam-se:

 

  • Atraso ou ausência de fala;
  • Dificuldade em iniciar ou manter conversação;
  • Uso repetitivo da linguagem (como ecolalia);
  • Dificuldades na compreensão social;
  • Redução ou atipicidade no contato visual e na expressão facial;
  • Interesses restritos e intensos;
  • Movimentos repetitivos;
  • Resistência a mudanças de rotina.

 

Também podem ocorrer particularidades sensoriais, como hipersensibilidade a sons, luzes e texturas, ou, em alguns casos, hipossensibilidade tátil.

 

Uma compreensão em constante evolução

 

A ampliação dos critérios diagnósticos também impactou as estimativas de prevalência, que passaram de números considerados raros nas décadas anteriores para índices mais amplos — atualmente estimados em cerca de 1 a cada 100 crianças, segundo diferentes estudos internacionais.

 

Esse aumento não indica “mais casos”, mas maior capacidade de identificação e diagnóstico.

 

A ciência evoluiu de uma visão centrada exclusivamente em déficits para uma abordagem que reconhece o TEA como uma condição do neurodesenvolvimento, com bases biológicas e grande variabilidade de manifestações.

 

A informação qualificada é um dos principais instrumentos para promover compreensão, respeito e inclusão.

 

Informações adicionais podem ser obtidas na Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, localizada na Rua Cel. João Franco Mourão, 308 – Centro, telefone 3097-1068, ou diretamente no Centro de Atendimento da Pessoa com Autismo, na Rua Luiz Da Roz, 825 – Centro, telefone (19) 3097-1053.

 

SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE LEME

 

clique na foto para ampliar